Ainda acordada, é certo. E normal… mas como estar a dormir quando um ano inteiro nos está a escorregar pelas mãos sem que nada possamos fazer? Estico-as, a elas, às mãos, para agarrar o tempo que voa e escorre por um muro invisível de titânio. Não sei se o agarro, a ele, ao tempo… se derrubo o muro… As mãos são duas. Os pés, outro par. No total, insuficientes para decidir a vontade e direccionar a acção estática e latente que, adormecida, olha de soslaio para o querer indeciso.
Mas o tempo não pára! Chamei-o por mais de uma vez. Gritei-lhe que não fugisse. Um ano inteiro com tanto para contar e desaparece, assim, à minha frente, por detrás de um sem par de números em nada aleatórios. Vejo os minutos a passar no relógio e assusto-me ao saber que não mais os irei ver… um ano inteiro decorrido… quantas e quantas historias? Quantas e quantas… coisas por contar? Quantas… por decidir? Mais ainda…
A etapa é irreal. O limite psicológico. A barreira… fisiológica… com tão pouca lógica… A soma, o total transbordam borda fora. Juntam-se ao mar, aos oceanos, às galáxias e ao vento e navegam numa memória que turva a água com tempo. Porque nem ela fica. Esbatesse a Carand’ache húmido num papel usado. Uso a mão para guardar o que Rubens ousou raptar. Uso o poder de opção para adiar… mais ainda.
l'amour
Há 8 anos