7 de dezembro de 2009

Com a ponta dos dedos

Dedilhando com a ponta dos dedos como que para descobrir o território. Demarcar os limites visuais com o tacto. Com a ponta dos dedos. Identificar cada falésia, cada lago, cada montanha, cada recife. Aglutinar a geografia irregular no conhecimento pleno e cego. Do tacto. Da ponta dos dedos. Tactear cada recanto escondido que visualmente não se manifesta. Doar a sensação do toque, intermitente, deslizante, instintiva como única dádiva sensitiva. Sensível. Quase invisível. Com a ponta dos dedos, aprisionar o momento numa polaroid a pionés cravada no corpo. Várias vezes. Repetidamente. No corpo. Cravada. Perscrutar o resultado na palpitação do pescoço, jugularmente. Obsessivamente. Com os lábios. Molhados. Quentes de saliva não digerida. Como a sensação. Como a ilusão. Partilhada. Pela ponta dos dedos, trocar de mão. Guiá-la pelas estrelas. Fazê-la seguir pela Estrada de Sant’iago, como os navegadores que, sem medo, ousavam. Ousar tocar com a mão... e devolver... o toque... com a ponta dos dedos.

5 comentários:

Lina disse...

E se, com o dedilhar da ponta dos dedos não encontramos o que queríamos, o que esperávamos, o que desejávamos?

Ou se, pelo contrário, cegos no discorrer assolapado por escarpas ou encostas, os nossos dedos encontram precisamente o que não queriam, o que não esperavam, o que não desejavam?

CarMG disse...

se cegos estamos no tactear, não iremos descobrir nada mais do que aquilo que queremos encontrar...

Maçã e Canela disse...

Quero tocar com a ponta dos dedos, todos os sentires. Todas as almas que se cruzam comigo.
=)

IsaCruz disse...

Todos nós, de uma forma ou de outra, demarcámos os limites visuais com o tacto... mas, nem sempre se ousou ..."tocar com a mão...e devolver...o toque...com a ponta dos dedos."
Valeu a experiência.

CarMG disse...

é muito mais fácil delimitar qualquer tipo de limite com a visão.
é menos agressivo, mais inóquo.
agora, ousar tocar...