28 de junho de 2009
O Meu Aquário Redondo
26 de junho de 2009
24 de junho de 2009
23 de junho de 2009
Os Sonhos reinventam-se nos Sonhos

Acordo e volto a adormecer.
Adormeço e acordo de novo.
Horas intermináveis em que me permito jogar este jogo, em que adio o despertar total, o verdadeiramente acordada e me deixo ficar neste espaço temporal inespecífico, irreal, sem substrato, nesta zona intermédia que separa a realidade da irrealidade e onde habita a ficção, a história, a inconsciência, o outro Eu, o sonho. E sonho. É neste limbo não delimitado que sonho ininterruptamente, que sonho até acordar de novo, para de novo adormecer. E as fantasias, as histórias, os impossíveis, os improváveis, os desejos, os ideais, as vontades, os sonhos ganham lugar.
Os sonhos reinventam-se nos sonhos.
21 de junho de 2009
Estrela Cadente
Vi-a, a Estrela Cadente, à uma da manhã.
O Verão só chegou às 5:45 .
E eu?
20 de junho de 2009
Subida da Temperatura
Intersticial
Corporal
Geral
Quente
Calor
Suor
Sal
O tempo
Quanto tempo?
Irreal?
Real
15 de junho de 2009
Teoria da Saudade
Sentimento tão nosso e tão incómodo.
Desde cedo que tenho uma teoria em relação à Saudade. Segundo Eu, só temos saudades das coisas quando estas foram melhores do que aquilo que temos no momento presente, de outra maneira não se sentiria saudade. Saudades daquelas férias maravilhosas passadas naquele sitio especial, quando o que temos no agora é o trabalho do dia-a-dia; saudades daquele concerto electrizante enquanto se ouve o CD no carro; saudades daquele vestido fantástico, feito à medida, que se estragou na máquina de lavar e não havia mais nenhum igual na loja. Não temos saudades das coisas demasiado banais ou que nos causam pesar. Não se tem saudades do dia em que se apanhou uma chuvada tremenda e se ficou três dias de cama com gripe, mesmo que também esteja a chover de momento. Da mesma maneira que não se tem saudades de visitar alguém no hospital, mesmo que a pessoa se encontre de novo doente. Ou, férias de novo, não se tem saudades das férias habituais, quando é desta vez que se está no tal sítio maravilhoso e especial. É, acima de tudo, um sentimento de comparação em que a nostalgia e a mágoa ganham um lugar de destaque. Portanto, Saudade... a evitar, ponto!
E, a evitar, porque para além de ser um sentimento relacionado com o lado mais negativo do sentimentalismo, lado chato, aborrecido, que quando intenso, tem a lata de nos perseguir durante horas, dias até!, não há sentimentalismo que aguente tanta lamechice.
Imaginando que a saudade está ligada a um objecto, para simplificar apenas, esta pode ser dividida em diferentes categorias: Saudade de Ter, Saudade de Estar, Saudade de Partilhar.
Passo a explicar:
A Saudade de Ter é o superlativo do sentimento na sua conotação possessiva. Sentimento de posse, portanto. Aquilo que se quer ter como nosso, abusar, deter, possuir. É o estadio mais intenso, mais recente em termos temporais e mais obcessivo. Logo, mais difícil de ser encaminhado para o esquecimento. O objecto é a matéria prima do sentimento em si.
A Saudade de Estar, por outro lado, já é um sentimento menos intenso, o que não lhe retira qualquer mérito nesta hierarquia do Eu. Não é o sentimento de posse que aqui se encontra presente, é sim associado ao prazer de estar com o objecto, pelas característcias do mesmo, sem ter a pretenção de lhas retirar, porque não as queremos para nós (e queremos no presente, porque se fosse no passado, a terminologia Saudade já não faria sentido).
Por último, a Saudade de Partilhar, que pode ser confundida com as restante, mas não se lhe associarmos o objecto correspondente. Trata-se do sentimento de partilha do objecto. Em termos gradativos, será a saudade menos intensa, mas mais bucólica, mais romanceada.
Pode-se assim dizer que a Saudade de Partilhar se relaciona com a partilha do objecto; na Saudade de Estar o objecto é o motivo da saudade, e a Saudade de Ter é a posse do mesmo.
Portanto, apesar de tão nossa, a mágoa que se sente pela ausência ou desaparecimento do objecto, de nada serve para a nossa vida do que para nos fazer parar e pensar por breves momentos, convictos, mas breves, de forma a que tudo o que é o nosso presente, seja sempre melhor do que o passado.
Não era tão mais fácil se fosse sempre assim?
13 de junho de 2009
Almograve
Fecho os olhos. Vejo o Sol à minha frente, por cima de mim. Banha-me com toda a sua imponência. Empurra-me com a sua energia de encontre à areia e assim fico, indefeza, incólume, a absorver todo o seu calor, a sua força que me alimenta e me transporta. Fecho os olhos. Trio os barulhos que me rodeiam. Elimino os sons mundanos e triviais das pessoas à minha volta. Opto pela musicalidade do que me faz sonhar. O barulho do mar lá ao longe, forte e tenebroso, no auge da sua autoridade a ressoar como um trovão constante, um tenor na sua ópera, magnânime, que tudo faz vibrar. A rebentação das ondas, disritmicas, involuntárias, sequenciais. O seu permanente vai e vem, vai e vem, como o cucu de um relógio sem tempo. A espuma das ondas a desmoronarem. O resultado final da longa caminhada do mar até à costa. A sua efervescência borbulhante, não palpável, fugidia que regressa ao encontro da voz trovão. O bater das pedras umas nas outras, na corrente inversa à das ondas que buscam a areia. Pedras rolantes que embatem como uma multidão em hora de ponta e ecoam como tal, a caminho do seu destino primordial. O vento, o seu sopro audível, melodioso, arrepiante e convicto a serpentear os atritos da sua passagem, a percorrer os labirintos da vegetação envolvente que, revolta, nasceu onde lhe foi permitido, ao abrigo das intempéries. E os pássaros, que coroam o Sol e me fazem sombra nos meus olhos fechados. O seu chilrear como banda sonora daquilo que é, por breves momentos, o meu Paraíso de Verão: Almograve.
12 de junho de 2009
Despertas pelo Sol, as coisas inicíam o seu bulício de seres vivos
Vergílio Ferreira "Aparição" pg 139