4 de janeiro de 2011

"O meu corpo não te esquece"

Com que pele te identificas mais? Qual das muitas que usas te encaixa melhor? Vejo-te com tantas que me perco. Que me baralho. Embaralhas-te em células quadriculadas que vestes de forma aleatória. Ou não? Muda-la quando? Mensalmente? Semanalmente? Presumo que o faças várias vezes no mesmo dia, consoante te encaixas com maior ou menor facilidade no ar que respiram de ti. Há um ardor que se vai sentindo. Urgindo. De dentro para fora, tal e qual como a beleza, quem diria!? Que bem que ficas com a tua pele preferida. Transpareces luz e vida. Viva! Tão intensa e brilhante, que me pergunto de onde vem o tom baço com que já te vi passar por mim. Uma pele não se esquece. Fica cravada em nós como única. E a tua pele... aquela... Te-la-ás mudado nesse dia? Fico na dúvida para quem o terás feito. A pele, deste lado, também não se esquece. Deve ser um reconhecimento intrínseco de peles, uma coisa só delas. Como se identificassem um padrão. Um genoma. Como se decifrassem um código. Um anagrama. Olham-se e resolvem a demonstração que as completa. É um clássico problema de pele. De pele com pele. Ao ponto de, às vezes, não se caber na própria pele com que se anda, como já dizia a canção. Também o corpo não esquece uma pele. Sei de um que dói só de pensar. E de tanto pensar, já me esquecia, que está na hora de mudar para a pele do ano que chegou: clean.

6 comentários:

Maçã e Canela disse...

Clean.
*

CarMG disse...

:)
***

Lina disse...

Leaving it behind.

Que as peles podem ser muitas, mas o coração é só um e comanda todo e cada centímetro.

I disse...

Chegámos a um novo preferido... esta histórias de pele na pele, pele com pele, cor da pele... não sei, Car... Arrepia! :-)

CarMG disse...

Lina... As peles podem e são muitas! Felizmente! Não consigo equacionar a hipótese de sair todos os dias com a mesma. Ainda nos reconheciam ;)

I... por alguma razão a pele é um órgão :) e ainda bem que arrepia! Pele com pele... a minha preferida!

Blogadinha disse...

Que o meu sangue não me engana, como engana a fantasia. A pele é puro cheiro que "o corpo não esquece", de facto.